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Tecnologia

SpaceX investe US$ 15 bilhões na Starship: o que muda agora

A empresa de Elon Musk revelou em documentos de IPO que destinou US$ 15 bilhões ao desenvolvimento da Starship, valor que supera em 37 vezes o investimento no Falcon 9.

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Caio Braga
02 de maio de 2026 · 4 min de leitura
Sumário do artigo
SpaceX investe US$ 15 bilhões na Starship: o que muda agora

A SpaceX já destinou mais de US$ 15 bilhões ao desenvolvimento da Starship, seu sistema de foguete reutilizável de próxima geração. O valor aparece nos documentos de IPO da companhia analisados pela Reuters e representa um investimento 37 vezes maior que os US$ 400 milhões gastos no Falcon 9, atualmente o foguete mais utilizado do mundo.

Esse montante coloca em perspectiva a aposta da empresa de Elon Musk em um projeto que se arrasta há quase uma década. A Starship não é apenas mais um foguete no portfólio da SpaceX: ela representa a viabilidade econômica de toda a operação futura da companhia, que caminha para abrir capital com avaliação de US$ 1,75 trilhão.

Você vai entender neste artigo quanto a SpaceX está gastando anualmente no projeto, quais são os principais obstáculos técnicos ainda não resolvidos, como a Starship se conecta com os planos de expansão do Starlink e o que a NASA espera desse sistema para o programa Artemis de retorno à Lua.

A Starship consome US$ 3 bilhões por ano em desenvolvimento

Em 2025, a SpaceX destinou US$ 3 bilhões exclusivamente para pesquisa e desenvolvimento do segmento espacial, sendo a totalidade desse valor investida no programa Starship. O número representa um salto expressivo em relação aos US$ 1,8 bilhão gastos no mesmo segmento em 2024.

Essa aceleração nos investimentos reflete a urgência da empresa em tornar o sistema operacional. Segundo o próprio documento de IPO, a SpaceX reconhece que continua "investindo significativamente para ampliar ainda mais nossa liderança, buscando a reutilização completa e rápida em larga escala".

O Falcon 9, que consolidou o domínio comercial da SpaceX e permite implantações rápidas do Starlink, custou uma fração do que está sendo gasto na Starship. A diferença de escala evidencia os desafios fundamentais entre os dois sistemas.

O que torna a Starship tão diferente do Falcon 9

A Starship é um sistema de dois estágios projetado para reutilização completa e rápida. Seu compartimento de carga foi dimensionado especificamente para transportar até 60 satélites Starlink V3 em um único voo, mais que o dobro das duas dúzias de satélites menores normalmente lançados pelo Falcon.

A empresa planeja iniciar o lançamento dessa nova geração de satélites no segundo semestre de 2026, provavelmente a bordo da Starship. Esse cronograma evidencia o quanto o sucesso do foguete está intrinsecamente ligado à viabilidade econômica do Starlink.

Entre os marcos importantes já alcançados, destaca-se a captura do booster Super Heavy em seu retorno à Terra utilizando braços mecânicos de grande porte. A manobra foi projetada para acelerar drasticamente a reutilização do foguete, reduzindo o tempo entre lançamentos.

Os obstáculos técnicos que ainda precisam ser superados

Desde 2023, a SpaceX realizou 11 voos de teste da Starship, alternando entre falhas espetaculares e avanços notáveis. Mesmo com esses progressos, a empresa reconhece em seu documento de IPO que "ainda existem diversos obstáculos sem precedentes" antes de atingir a meta de Musk de milhares de lançamentos anuais.

Um dos maiores desafios é a infraestrutura terrestre. Um único lançamento da Starship requer o equivalente a 244 caminhões-tanque de gás natural, segundo análise da Administração Federal de Aviação. Cerca de um milhão de galões de água são usados para suprimir as vibrações acústicas durante a decolagem.

"Não há água suficiente no sistema de abastecimento para suportar o lançamento da Starship" na escala pretendida, afirmou Chris Quilty, presidente da Quilty Space, empresa de pesquisa da indústria espacial.

Outro obstáculo formidável é o reabastecimento em órbita, processo no qual as Starships acoplam-se a versões-tanque da nave para transferir combustível. A manobra seria essencial para missões no espaço profundo e exigiria múltiplos lançamentos. "O reabastecimento em órbita é complexo e ainda não o demonstramos nem o tentamos", admitiu a SpaceX no documento.

O desafio é agravado pelas características do propelente: o oxigênio líquido precisa ser mantido a temperaturas extremamente baixas e hermeticamente fechado para evitar vazamentos no espaço.

A versão 3 da Starship e os planos com a NASA

A SpaceX está se preparando para seu primeiro lançamento de teste desde outubro, o maior intervalo entre voos do programa. A missão apresentará o protótipo Starship V3, que Charlie Cox, Diretor de Engenharia da Starship, descreveu como "basicamente um projeto totalmente novo da nave".

A Starship V3 traz dezenas de melhorias importantes e foi projetada para voos orbitais, testes de longa duração no espaço e pousos tripulados na Lua. Esse tipo de missão representa o desafio mais complexo do foguete e é justamente pelo que a NASA pagou à SpaceX pelo menos US$ 3 bilhões no âmbito do programa lunar Artemis.

"Essa versão 3 é a base do Sistema de Pouso Humano", afirmou Kent Chojnacki, gerente adjunto do programa HLS da NASA. "Muita coisa dependerá desse primeiro voo."

Hans Koenigsmann, ex-vice-presidente de Confiabilidade de Voo da SpaceX e um dos primeiros funcionários da empresa, considera o reabastecimento em órbita "provavelmente o último grande desafio". "Se isso acontecer, acho que, a partir daí, será praticamente um sucesso", avaliou.

A reportagem completa foi publicada originalmente na CNN Brasil.

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#SpaceX#Starship#Elon Musk#foguetes reutilizáveis#tecnologia espacial#IPO#Starlink#NASA
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